O Festival de Cannes tornou-se um dos principais palcos do debate sobre inteligência artificial no cinema em 2026. Entre os destaques desta edição está a estreia de “Hell Grind”, apontado como o primeiro longa-metragem totalmente criado com inteligência artificial generativa.
O filme foi apresentado pela startup Higgsfield AI durante o evento realizado na Croisette, na França. A produção de ficção científica tem 95 minutos de duração e foi desenvolvida integralmente por meio da plataforma de IA da empresa.
Segundo informações divulgadas pela companhia, o projeto custou cerca de US$ 500 mil, sendo aproximadamente 80% do orçamento destinado ao processamento computacional da inteligência artificial. O longa teria sido concluído em apenas duas semanas.
“Hell Grind” mistura ficção científica e IA generativa
Coescrito pelo cineasta Adilkhan Yerzhanov, que já participou do programa oficial de Cannes em outras edições, “Hell Grind” acompanha a história de quatro assaltantes em uma jornada ao inferno.
A Higgsfield AI afirma que a produção representa um avanço na capacidade da inteligência artificial de manter coerência narrativa, consistência visual dos personagens e continuidade de universo ao longo de um filme completo.
A empresa também anunciou parceria com o diretor Chuck Russell para o desenvolvimento de outros dois projetos de ficção científica que combinarão atores reais e ambientes criados por IA.
Cannes debate impactos da IA no cinema
A inteligência artificial dominou parte das discussões da 79ª edição do Festival de Cannes. Painéis e debates reuniram cineastas, produtores e especialistas para discutir os impactos da tecnologia na produção audiovisual.
Apesar do avanço das ferramentas, os organizadores do festival informaram que filmes produzidos predominantemente por inteligência artificial generativa não poderão disputar a Palma de Ouro. O uso da tecnologia, no entanto, não foi proibido.
Durante um painel sobre IA no cinema, o diretor Darren Aronofsky afirmou que a tecnologia pode ampliar o acesso à produção audiovisual.
“Acho que os contadores de histórias terão, mais do que nunca, mais facilidade para contar suas histórias”, declarou.
Já a atriz Demi Moore, integrante do júri do festival, defendeu uma abordagem prática sobre o avanço da tecnologia.
“A IA está presente. Opor-se a ela é travar uma batalha que provavelmente perderemos. Portanto, descobrir maneiras de colaborar com ela parece ser uma abordagem mais produtiva”, afirmou.
Setor ainda debate limites da tecnologia
Apesar da aceitação crescente do uso de IA em etapas de produção e pós-produção, parte da indústria cinematográfica ainda demonstra preocupação com os limites da tecnologia.
Segundo debates realizados em Cannes, há consenso entre muitos profissionais de que roteiros e filmes totalmente gerados a partir de comandos automáticos levantam questões sobre autoria, criatividade e preservação do trabalho artístico humano.
Relatórios apresentados durante o festival apontam que o uso de inteligência artificial pode reduzir os custos de produção de filmes e séries em até 30%.
Ao mesmo tempo, cresce entre cineastas o entendimento de que a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio criativo, e não como substituição completa dos profissionais do setor.

